Capitulo 11

A decadência de Pierre. 

E agora? O que eu ia fazer? Meu pai e o Luigi aqui fora e o Pierre e o agente Cassio lá dentro. Se eles se encontrarem com certeza será a terceira guerra mundial. Eu estava ali com uma cara de pastel tentando imaginar o que fazer com o Pierre lá em cima.
- Pai?  – eu falei com o tamanho susto que levei.
Sim! Que eu saiba, eu sou seu pai sim! – ele respondeu com um humor bem ruim. 
Por que você veio tão cedo, pai? – perguntei tentando ser o mais meiga possível. 
- Não estava me sentindo bem! Ah! Veio um menino entregar pizza aqui. Você pediu pizza? – ele pergunta com um sorriso na cara. Meu pai adora pizza.
- Hein? Ah é! Eu pedi pizza sim! A Danii queria comer pizza! – falei sorrindo, mas sentia que meu sorriso estava tão forçado quanto o do coringa. Ele sorriu e entrou, nesse mesmo instante pego o telefone. “Danii, pelo amor de Deus, esconde os dois que o papai e o Luigi chegaram e estão indo ao teu quarto!” mando a mensagem e fui atrás deles, já que eu teria que explicar algo se eles encontrassem o Pierre dentro de casa.
Comemos a pizza e meu pai começou a falar mal do Pierre... Serio, comecei a rezar e implorar que Deus segurasse o Pierre ali, depois de tudo fomos dormir. Pedi pra Danii da um colchão pra ele se deitar e vejo depois o agente Cássio indo embora. No meio da noite eu acordo e vejo que ele esta do lado de fora treinando no meu Mudjong (boneco de treino de kung fu). Ai meu Deus, e se meu pai ver ele? Desci pra mandá-lo dormir de novo, mas vi ele tão concentrado que não quis interromper. Uma hora depois ele termina de treinar e acaba se assustando quando me viu.
- Você ta querendo fazer meu coração parar de medo, menina? – ele pergunta cochichando. É um besta mesmo! 
- Se meu pai te visse aqui, ai sim você veria seu coração parar! – respondi sussurrando também, já pra deixá-lo com medo. Então dei uma toalha pra ele, já que vi que ele estava todo soado. Então ele notou que a toalha era do lhamas (tudo que eu tenho é do lhamas), então ficou olhando pra mim.
- Por que você e sua família tem esse fanatismo todo pelo Lhamas? Sem querer brigar, é só curiosidade. Vocês agem como se fossem membro da família. – ele perguntou olhando pra mim. Bem, apesar de não ser segredo, não gosto de lembrar muito disso, já que faz parte da minha infância. Quando minha mãe foi embora, meu pai ficou muito triste, tanto que não queria comer, nem trabalhar, nem dormir. Era estranho por que eu só tinha 10 anos e mesmo assim, tinha que cuidar do Luigi, que era um bebe e do meu pai que estava se afundando na depressão. Ate que eu usei o Lhamas para animá-lo, já que ele era louco pelo time. Mas acho que isso era uma historia triste demais pra contar ao Pierre.
- A gente teve um problema grave na nossa família, então em um dia estávamos vendo o Lhamas pela TV e eles estavam perdendo, por muitos pontos. Então tive a idéia que se o Lhamas pudessem se levantar, a gente também poderia! E foi o que aconteceu! – respondi a ele sem poder evitar que minha voz soasse triste. Notei que meus olhos começaram a se encher de lagrimas, e ele já tinha problemas demais pra ver alguém chorando. Esquece! Eu só falo idiotice, você sabe! – falei pra ele. Então ele pegou minha mão. 
- Eu te entendo. Às vezes um jogo pode nos salvar, ate mesmo da solidão! – ele me disse com um tom triste também, como se ele tivesse uma historia parecida a minha. Então ele me devolveu a toalha, e me deu um beijo na testa. – Durma bem, Dora! – ele fala sorrindo e então entra pra casa. 
Eu admito que fiquei feliz com aquilo. E um pouco envergonhada também. Fui dormir realmente muito feliz. Quando acordei, fui escovar os dentes, então meu pai veio correndo me mostrar um jornal, quando vi uma noticia pior que a anterior “A causa real das agressões de jogador Paulo Henrique seria um distúrbio mental?” cara, esse repórter Claudio é de verdade um cretino. Não iria me surpreender se ele fosse o maníaco das fotos. Fui mostrar ao Pierre e obvio que ele não reagiu bem. Tive que fazer um grande esforço pra manter ele calado antes do meu pai e o Luigi saírem. Então saímos e fomos nos encontrar com o agente Cássio, que já estava com cara de ódio. 
- Como o repórter Claudio descobriu que você teve depressão? – o agente Cássio perguntava com um tom áspero.
- Ele deve ter investigado minha vida. Você sabe que esse cara me odeia! – ele respondeu com um tom grave.
- Temos que resolver isso! – disse Cássio. Então fomos ao hospital onde Lucas (o garoto que o Pierre espancou) estava. O plano seria pedir desculpas e pagar o tratamento medico dele. O agente Cássio deu um documento oferecendo um bocado de dinheiro como desculpas... Então Pierre chega bem perto dele. 
- Você me conhece não é? Se não, como você saberia meu nome... Como você saberia o nome dela? Fique tranqüilo, pois todo o dinheiro que eu estou te dando continuará sendo seu, eu só quero saber quem é você e de onde me conhece? – o Pierre perguntava constantemente pra ele. O rapaz olhava pra o lado, não sei dizer se com vergonha ou dissimulando. Quando do nada entra vários repórteres dentro da sala de hospital junto com uns paparazzi, então ficaram pedindo pra o Pierre pedir desculpas ao cara. Porem ele só ficou encarando o rapaz, com um ódio no olhar que dava pra ver de longe... Então ele saiu da sala. Fui correndo atrás dele.
- Você podia ter dito que sentia muito, mesmo que fosse mentira! – disse a ele. Ele se volta pra mim me encarando. – Mas eu não sinto muito! – ele grita bem forte...
- Você tem que se desculpar...  Isso mudaria tudo. Por que você não quer? O que foi que ele te falou? – o agente Cássio perguntou de modo frio, como se não se importasse. Mas dava pra se notar que ele estava com raiva.
- Eu não vou me desculpar! EU NÃO VOU!!! Por que ao me desculpar eu aceito o que ele falou, mas não importa o que eu diga, você não acredita em mim não é? – Pierre dizendo com um tom triste. 
- Não sou pago pra acreditar ou não em você! Sou pago pra cuidar da sua imagem que pode ser arruinada por sua própria culpa! – o agente Cássio fala em um tom grave, de raiva. O Pierre olhava pra ele com uma cara triste, como se fosse chorar a qualquer momento. Então ele foi pra casa e eu o segui. Todo o caminho, ele estava calado, pensativo. Quando chegamos como sempre tinha muito repórteres, eu tentava protegê-lo, mas era quase impossível. Uma garota me dá um empurrão e ele por extinto, me defende empurrando ela. Claro, isso só gera mais fotos, então ele me puxa pra dentro do apartamento. Ao entrarmos ele olha pra mim.
- Você também acha que eu sou louco? Que por isso eu bati nele? – ele me pergunta com um tom triste. Minha voz se cortou, eu não sabia como responder aquilo. Não! Eu não acho que ele bateu naquele cara por que ele é louco, mas eu também não sei qual foi o motivo concreto. Então ele dá um sorriso, meio desiludido. – Esqueça! Vá pra casa! – ele me fala e entra no quarto. De verdade eu sou uma idiota! Eu deveria ter respondido. Sai, sem me importar com todos aqueles repórteres, e não pude evitar das lagrimas caírem do meu rosto... 
Ao chegar em casa, enquanto meu pai e o Luigi comemoravam eu via que em sites, jornais, rádios, só se falava no Pierre... Era um inferno. No outro dia fui até o apartamento dele, mas a senhora que trabalha pra ele disse que ele estava deprimido demais pra sair. Tinha noticias de pessoas xingando ele na internet, pessoas que picharam o ônibus do time e gritava “Fora Paulo Henrique!”... Isso tudo devia ser muito duro pra ele. No outro dia, ele tinha uma reunião com o conselho presidencial do Time. Ele ficou lá por alguns minutos e depois saiu com o rosto tão abatido como antes, eu sabia que ele novamente não tinha contado nada. Ele apenas foi saindo e fui atrás dele. Como sempre, na frente da sede, tinha milhões de repórteres, eu tentava impedi-los de chegar perto dele, então umas pessoas começaram a jogar coisas nele... 
Eu tinha que defende-lo, mas não sabia nem como começar, apenas o levei ao carro, protegendo-o com o meu corpo. Então fomos ao apartamento dele. No carro estava a limpar minha roupa que estava suja de ovos e tomates, mas ao passar a mão na minha testa sinto sangue caindo. Eu havia me ferido protegendo ele. Sentia que as lagrimas queriam cair novamente, principalmente pelo fato de vê-lo sofrer assim e não poder remediar. Ao chegarmos ao apartamento, ele entra no quarto e quando volta vem com um kit de primeiros socorros. 
- Se senta! – ele falou pra mim. Eu não entendi pra que, então ele pegou pela mão e me levou ao sofá, então passou a mão na minha testa que estava cortada. Ele começou a limpar a ferida e fazer um curativo. Eu nem ao menos conseguia olhar pra ele de tão envergonhada que estava, então depois ele segurou meu rosto e olhou pra mim. 
- Você se esforçou demais hoje, vá pra casa e descanse, Dora! – ele diz pra mim sorrindo, apesar de seu olhar esta tão triste... Sai e fui pra casa, não podendo me controlar em chorar no ônibus. Eu não podia fazer nada. Eu não podia fazer nada! Então fui pra casa e tentei dormir, apesar dos olhos tristes dele sempre aparecerem na minha frente.
No outro dia meu pai me acordou e eu já sabia que era algo do Pierre, então estava escrito que ele seria expulso do Gnomos Vermelhos, Meu Deus, ele devia estar arrasado,então fui novamente ao apartamento dele, como sempre quem atendeu foi à dona Fátima. Noto que ela estava chorando, e aos prantos ela me fala. – Paulo Henrique sumiu! – ela diz no desespero. O que? Como assim sumiu? Então corro e entro no seu quarto, onde tudo está desarrumado e vejo uma folha de um diário, acho que quando ele era pequeno, escrita “gosto do beisebol, gosto mais do que da minha mãe! Quero jogar beisebol pra sempre, por que se eu não puder jogar, acho que eu prefiro morrer!”.
Liguei para o Caio. Ele veio imediatamente, lemos os diários dele, pra ver se tinha algo de útil. Caio ligou pra alguns conhecidos pra saber se eles sabiam onde ele estava, mas sem nenhum sucesso.
- Eu devia ter imaginado, ele foi à minha casa ontem. Estava abatido, confuso e pedia que eu não odiasse, que eu não pensasse que ele era uma pessoa má como todo mundo estava falando! Ele estava desesperado e eu não pude perceber... – Caio desabafava. Era tão complicado. Todos nos estávamos ali, tentando imaginar onde estava o Pierre. A dona Fatima estava desolada.
- É tudo minha culpa, se eu tivesse ficado aqui ontem, ele não teria sumido! – ela dizia chorando.  – Devemos chamar a policia! – ele disse do nada. Era uma boa idéia, mas se chamar a policia pra informar do sumiço dele, não ficaria pior a situação publica dele?
- Não é uma boa idéia, por que ao ouvirem isso os paparazzi vão vir em enxame pra cá! – o Caio responde a ela. Onde será que pode esta o Pierre? Voltei pra casa, vendo varias vezes em jornais e pessoas falando que ele seria expulso do time. Ao chegar em casa, meu pai e o Luigi estavam comemorando a má sorte dele, e eu fiquei olhando a lua e pensando onde estava o Pierre agora. Será que ele tinha comido? Tinha dormido direito? 
Me lembrava da pergunta que ele tinha me feito “Você também acha que eu estou louco?”, e de como gostaria de voltar no tempo e dizer que não. Aquela era uma pergunta desesperada dele e não percebi... Então o Caio me ligou e diz que teve uma idéia, que se fizéssemos o Pierre ficar no time, ele não ficaria triste e voltaria. Então fomos falar com os membros do time, os gerentes e tal, para assinar uma petição pedindo que o Pierre ficasse no time, e eu convenci a alguns haters a assinar também. Agora o mais importante era formar a cabeça do agente Cássio que estava com ódio de toda aquela situação. Pedi a Danii pra ela convencer o agente Cássio a nos ajudar, já que ela que entende mais sobre robôs... 
Ela falou algumas coisas de números pra ele e ele finalmente resolveu ajudar o Pierre. Como eu disse, a Danii é ótima pra quebrar códigos e acabou descobrindo o código do coração do robô do agente Cássio, acho que por que ela tem uma queda por ele, entende ele melhor...  Como não conseguimos ler direito os diários do Pierre, eu também pedi a Danii pra ler os diários e escrever os locais que aparecem com mais freqüência. De noite fui ao quarto dela, pra ver se ela já tinha conseguido escrever tudo.
 -Isso aqui é um saco! Garotos de 11 anos deveriam ter sonhos eróticos, pensar em como perder a virgindade, e tudo que tinha nesse diário era treino, treino de agachamento, treino de tacadas, treino de golpes... Pra que diabos alguém treinar golpe? – ela reclamava. Eu acho que entendo por que ela gosta do agente Cássio, parece que os dois têm uma pedra de gelo seco no lugar do coração... O cara sumiu e ela quer saber sobre os sonhos eróticos dele? Apenas peguei o caderno em que ela escreveu as anotações e fui pra o meu quarto. Então pensei, que se eu sou guarda-costas do Pierre, tenho que lutar pela segurança dele.
Então decidi ir atrás dele.

Um comentário:

  1. Quem diria que o Pierre teria tantos problemas =( estou torcendo para que a Dora encobtre ele a tempo!
    P.s. E aquele beijinho na testa? Que fofoooooo <3

    ResponderExcluir