Quando tudo dá errado.
Eu olhava aquela foto e ficava com um frio na espinha
cada vez maior... mas não deveria me abater já que era algo esperado. Porem o
Pierre parecia bem mais aterrorizado do que eu.
- Por quê? Por quê? – ele perguntava olhando a foto. –
Por quê? É minha culpa! Me desculpa Dora! – ele fala olhando pra mim. Era um
pouco reconfortante ver que ele se preocupava comigo, porem eu não queria que
ele ficasse mais nervoso do que já é.
- Você mandou o maniaco me enviar a foto? Não! Então
não tem pra que pedir desculpas... – eu falei a ele sorrindo, porem ele estava
nervoso demais com a foto. Então peguei minha mochila pra ir embora.
- Onde você vai? – ele me perguntou assustado.
- Pra minha casa ué! Já ta no horário! – falei pra ele
mostrando que era 9, e eu sempre saia as 8 e meia... porem quando ia saindo ele
pegou pelo braço.
- Você bebeu? Você acha realmente que eu vou deixar
você ir pra casa sozinha? Você vai dormir aqui! Não quero que seja atacada por
minha culpa! – ele falava segurando meu braço. Não posso negar e dizer que não
fiquei feliz por ele estar preocupado por mim. Então ele foi avisar a Juliana
que eu ficaria a noite lá, ela disse que sim. Então a gente jantou e assistiu
tv, então a Juliana foi se deitar e eu já esperava que o Pierre fosse se deitar
com ela, então simplesmente troquei de roupa pra dormir (eu sempre levo roupas
comigo, por que vai saber quando se vai parar no hospital com essa minha
profissão). Troquei de roupa e me preparei pra dormir no sofá quando o Pierre
sai do quarto com uns lençóis e uns travesseiros, então colocou do outro lado
do sofá.
- Aqui um lençol pra você, eu vou dormir aqui! – ele
dizia colocando o lençol e os travesseiros no chão. Eu fiquei um pouco feliz com isso, tenho que
admitir. Então peguei o lençol e fui ate a cozinha pra pegar um copo de água.
- Que roupa é essa? – ele perguntou de um jeito
estranho, olhando pra baixo.
- Roupa de dormir! Ainda bem que eu ando prevenida ou
então ia dormir de calça jeans hoje! – falei sorrindo, porem ele continuava
olhando pra baixo.
- Tinha roupa maior não? Essa roupa ai é muito curta! –
ele fala olhando pra baixo, com o rosto meio vermelho. Sera que era timidez?
Pelo quê? Não podia ser isso...
- Quê que tem? Gosto dessa roupa! – disse me deitando
no sofá... então ele virou pra o outro lado.
- Parece que você não nota que eu sou um homem! – ele
resmunga baixo porem eu consegui escutar. O que tinha a ver ele ser homem e eu
estar de pijama? Eu hein! Então quando estava quase dormindo, o Pierre começa a
conversar comigo.
- Você já teve muitos caras afim de você? – ele
perguntou do nada. Por que diabos ele queria saber disso? Olhei pra ele e ele
estava lá, com aquela cara de idiota esperando a resposta.
- Não! Por quê? – respondi um tanto vermelha. Então ele
começou a olhar o teto.
- Entendo! Então você é desatenta também! Legal saber!
– ele fala e logo se deita pra dormir. Espera? O que diabos ele quer dizer com
desatenta? Esse cara é tão esquisito. Então fui dormir e quando acordei,
percebi que tinha um lençol a mais em mim alem de outro travesseiro. Olhei ao
redor e o Pierre já não estava, então li o bilhete “Dora, fui pra sede, cuide
bem da Juliana, coloquei mais cobertas em você por que com aquela roupa você ia
acabar ficando gripada.” Sempre tão fofo, por isso eu não conseguia esquece-lo.
Então pouco tempo depois Gabriela e a mãe dela apareceram no apartamento, e eu
falei que ela estava pintando o dia inteiro.
- Me desculpem, mas eu tenho que ir. – ela falava
pálida e com dificuldade pra andar, quando saiu eu fui atras e perguntei se ela
precisava de algo, ela simplesmente sorriu e fez um gesto de não com a cabeça.
Bem, eu não iria forçar, mas ela não estava bem! Não estava mesmo! Então voltei
pra o apartamento e pouco tempo depois a mãe da Gabriela foi embora, então fiquei
ali até receber uma ligação do papai, ele falando que teria um jantar e que nos
mostraria a sua namorada... eu fiquei muito feliz, depois da ligação, quando
olhei a Juliana estava olhando pra mim e do nada ela me mordeu no braço. Sim!
Ela me mordeu! Eu já disse que essa garota é louca? Depois ela chamou o Pierre
pra fazer compras no supermercado. Eles foram e eu fui junto. Ela corria pelo
supermercado como uma criança.
- Por que diabos a Juliana esta tão feliz? – Pierre
pergunta fazendo uma careta.
- Não sei disso ai de feliz, mas sei que ela ta
agressiva, ela me mordeu! – eu falei pra ele, então ele começa a me encarar
como se não acreditasse. – É verdade caramba! Ó! – eu disse mostrando o lugar
onde ela mordeu.
- Ela deve gostar de você. Quando ela gosta de alguém,
ela morde! – ele fala sorrindo. Ok, agora eu tenho certeza. Ela é completamente
louca, como assim morder? Ela é algum cachorro por acaso? Mas deixei pra lá,
então fomos ao apartamento do Pierre, e eles começaram a preparar a comida, eu
comecei a cortar cebolas e meus olhos arderam muito, então a Juliana pede um
molho de uma garrafa que estava perto de mim, então eu peguei pra abrir, por
que eu faria qualquer coisa pra parar de cortar cebolas. A tampa da garrafa
estava muito apertada e eu tive dificuldades de abrir. - Ta bom! Me da isso! –
dizia o Pierre colocando a mão na direção na garrafa. Simplesmente dei um tapa
na mão dele, eu disse que iria fazer, então eu iria fazer!
- Pelo amor de Deus, por que você tem que ser tão
teimosa? – ele perguntava enquanto eu tentava abrir o pote, admito que demorei
uma meia hora pra abrir, mas finalmente abri. Eu disse que conseguiria.
- Nossa, você realmente conseguiu abrir! Parabéns! –
ele falava apertando minha bochecha. Então depois a Gabriela e o Caio chegaram
pra jantar também, a dona Fátima foi pra casa mais cedo, então a gente que teve
que lavar a louça depois do jantar. Jogamos na sorte pra ver quem ficaria com a
louça, e adivinha que ficou? Eu, obvio, já que a sorte não me segue, porem eu
enchi o saco do Pierre por um bom tempo e ele me ajudou a lavar também. Quando
voltamos a sala, começamos a conversar.
- Eu tenho uma coisa a dizer! Como somos todos amigos,
eu vou falar. – a Juliana fala interrompendo a conversa. Então ela segura a mão
do Pierre.
– Paulo
Henrique, vamos começar de novo? – ela pergunta sorrindo. Ele arregala os olhos e eu não posso dizer
que fiquei animada com aquilo. Bem, pra mim eles já estavam juntos, mas aquele
pedido era algo oficial. Simplesmente desviei o olhar pra não ter que encarar
aquilo, então comecei a cortar uma cebola, por que se acaso eu começasse a
chorar, todos achariam que era pela cebola. – Eu quero a gente comece de novo, pra não ter
mais problemas, eu acredito que vai dar certo. – ela fala sorrindo e eu noto
que o Pierre começa a olhar pra mim, então fixo mais ainda minha vista na cebola.
Porem do nada a Gabriela começou a passar mal, sentindo grande dores no
estomago, então o Pierre e o Caio levaram ela ao hospital. Eu realmente
esperava que não fosse nada com o bebe. Eu a Juliana voltamos ao apartamento,
já que eu só poderia sair quando o Pierre voltasse.
- O que tem? Eu só uso essa corrente por acho
bonitinho! – ela fala sorrindo. O quê? Uma coisa que obviamente foi comprado
pra ser um selo de amor, ela só usa por que é bonitinho. - Mesmo quando
terminamos eu não joguei fora! Eu acho essa corrente linda! – ela fala sorrindo
e tocando a corrente, essa garota realmente é pirada. E mesmo assim era
corajosa, o bastante pra dizer diretamente que o ama e não se sentir com
vergonha! Então depois o Pierre mandou meu chefe pra ficar vigiando ela, então
fui pra casa e fui ver como estava a Danielle. Sua aparência estava melhor, as
feridas do rosto já não estavam tão fortes, ela como sempre estava lendo.
- O agente Cássio ligou pra você? – perguntei pra ela
de uma forma meio tímida. Ela sem me olhar simplesmente disse não com a cabeça!
Fala serio! O cara realmente não se importou com o que eu disse. – Amor é uma
coisa muito complicada! – eu suspirei, então ela para de ler e começa a olhar
pra mim.
- Você sabe o quanto foi estranho de ver você dizendo
isso? – ela fala me encarando, mas logo volta ao livro. Então contei sobre o
encontro do papai com a namorada, porem ela estava vaga e não prestou muita
atenção. Ela não estava totalmente bem,
e dava pra ver, porem como ela não queria me contar, eu não iria força-la, então
fui dormir. Ao acordar em arrumei pra encontrar a namorada do papai, eu o Luigi
esperamos em um restaurante que ele nos levou.
- Eu tive um pesadelo, sonhei que ela era daquelas
mulheres que tem sobrancelhas tatuada, sera que ela é assim? – o Luigi falava
ajeitando o cabelo.
- Não quero que seja uma mulher cheia de frescura! –
falei pra ele, mas pensei, se o papai gostasse dela e ela o fizesse feliz, eu
não me importaria com isso. Então ele chegou e logo veio uma mulher atras,
então nos levantamos pra cumprimenta-la que quando vejo. Era ela?
Era a mulher que um dia foi minha mãe!
















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