Capitulo 17

Quando tudo dá errado. 
Eu olhava aquela foto e ficava com um frio na espinha cada vez maior... mas não deveria me abater já que era algo esperado. Porem o Pierre parecia bem mais aterrorizado do que eu.
- Por quê? Por quê? – ele perguntava olhando a foto. – Por quê? É minha culpa! Me desculpa Dora! – ele fala olhando pra mim. Era um pouco reconfortante ver que ele se preocupava comigo, porem eu não queria que ele ficasse mais nervoso do que já é. 
- Você mandou o maniaco me enviar a foto? Não! Então não tem pra que pedir desculpas... – eu falei a ele sorrindo, porem ele estava nervoso demais com a foto. Então peguei minha mochila pra ir embora.
- Onde você vai? – ele me perguntou assustado.
- Pra minha casa ué! Já ta no horário! – falei pra ele mostrando que era 9, e eu sempre saia as 8 e meia... porem quando ia saindo ele pegou pelo braço.
- Você bebeu? Você acha realmente que eu vou deixar você ir pra casa sozinha? Você vai dormir aqui! Não quero que seja atacada por minha culpa! – ele falava segurando meu braço. Não posso negar e dizer que não fiquei feliz por ele estar preocupado por mim. Então ele foi avisar a Juliana que eu ficaria a noite lá, ela disse que sim. Então a gente jantou e assistiu tv, então a Juliana foi se deitar e eu já esperava que o Pierre fosse se deitar com ela, então simplesmente troquei de roupa pra dormir (eu sempre levo roupas comigo, por que vai saber quando se vai parar no hospital com essa minha profissão). Troquei de roupa e me preparei pra dormir no sofá quando o Pierre sai do quarto com uns lençóis e uns travesseiros, então colocou do outro lado do sofá.
- Aqui um lençol pra você, eu vou dormir aqui! – ele dizia colocando o lençol e os travesseiros no chão.  Eu fiquei um pouco feliz com isso, tenho que admitir. Então peguei o lençol e fui ate a cozinha pra pegar um copo de água.
- Que roupa é essa? – ele perguntou de um jeito estranho, olhando pra baixo.
- Roupa de dormir! Ainda bem que eu ando prevenida ou então ia dormir de calça jeans hoje! – falei sorrindo, porem ele continuava olhando pra baixo.
- Tinha roupa maior não? Essa roupa ai é muito curta! – ele fala olhando pra baixo, com o rosto meio vermelho. Sera que era timidez? Pelo quê? Não podia ser isso...
- Quê que tem? Gosto dessa roupa! – disse me deitando no sofá... então ele virou pra o outro lado.
- Parece que você não nota que eu sou um homem! – ele resmunga baixo porem eu consegui escutar. O que tinha a ver ele ser homem e eu estar de pijama? Eu hein! Então quando estava quase dormindo, o Pierre começa a conversar comigo.
- Você já teve muitos caras afim de você? – ele perguntou do nada. Por que diabos ele queria saber disso? Olhei pra ele e ele estava lá, com aquela cara de idiota esperando a resposta.
- Não! Por quê? – respondi um tanto vermelha. Então ele começou a olhar o teto.
- Entendo! Então você é desatenta também! Legal saber! – ele fala e logo se deita pra dormir. Espera? O que diabos ele quer dizer com desatenta? Esse cara é tão esquisito. Então fui dormir e quando acordei, percebi que tinha um lençol a mais em mim alem de outro travesseiro. Olhei ao redor e o Pierre já não estava, então li o bilhete “Dora, fui pra sede, cuide bem da Juliana, coloquei mais cobertas em você por que com aquela roupa você ia acabar ficando gripada.” Sempre tão fofo, por isso eu não conseguia esquece-lo. Então pouco tempo depois Gabriela e a mãe dela apareceram no apartamento, e eu falei que ela estava pintando o dia inteiro.
 - Mas ela falou que tinha parado de pintar! – a Gabriela falava um pouco pálida. Então eu mostrei o quarto onde a Juliana estava. Ela estava lá desenhando olhos, depois que o gato dela morreu, ela desenha olhos feito uma loca... então conversaram um pouco na sala de pintura e foram pra sala. Ao que me parece a mãe da Gabriela queria que a Juliana pintasse alguns quadros para sua galeria. O que percebia era que quanto mais sua mãe falava das pinturas da Juliana, mais a Gabriela ficava pálida, como se o sangue dela estivesse sumindo. Por que? Se a Juliana é sua melhor amiga, ela deveria ficar feliz, não? Bem, mas eu não devo tirar conclusões precipitadas, vai ver ela só estar meio mal por causa do bebe que ela esta esperando.
- Me desculpem, mas eu tenho que ir. – ela falava pálida e com dificuldade pra andar, quando saiu eu fui atras e perguntei se ela precisava de algo, ela simplesmente sorriu e fez um gesto de não com a cabeça. Bem, eu não iria forçar, mas ela não estava bem! Não estava mesmo! Então voltei pra o apartamento e pouco tempo depois a mãe da Gabriela foi embora, então fiquei ali até receber uma ligação do papai, ele falando que teria um jantar e que nos mostraria a sua namorada... eu fiquei muito feliz, depois da ligação, quando olhei a Juliana estava olhando pra mim e do nada ela me mordeu no braço. Sim! Ela me mordeu! Eu já disse que essa garota é louca? Depois ela chamou o Pierre pra fazer compras no supermercado. Eles foram e eu fui junto. Ela corria pelo supermercado como uma criança.
- Por que diabos a Juliana esta tão feliz? – Pierre pergunta fazendo uma careta.
- Não sei disso ai de feliz, mas sei que ela ta agressiva, ela me mordeu! – eu falei pra ele, então ele começa a me encarar como se não acreditasse. – É verdade caramba! Ó! – eu disse mostrando o lugar onde ela mordeu.
- Ela deve gostar de você. Quando ela gosta de alguém, ela morde! – ele fala sorrindo. Ok, agora eu tenho certeza. Ela é completamente louca, como assim morder? Ela é algum cachorro por acaso? Mas deixei pra lá, então fomos ao apartamento do Pierre, e eles começaram a preparar a comida, eu comecei a cortar cebolas e meus olhos arderam muito, então a Juliana pede um molho de uma garrafa que estava perto de mim, então eu peguei pra abrir, por que eu faria qualquer coisa pra parar de cortar cebolas. A tampa da garrafa estava muito apertada e eu tive dificuldades de abrir. - Ta bom! Me da isso! – dizia o Pierre colocando a mão na direção na garrafa. Simplesmente dei um tapa na mão dele, eu disse que iria fazer, então eu iria fazer!
- Pelo amor de Deus, por que você tem que ser tão teimosa? – ele perguntava enquanto eu tentava abrir o pote, admito que demorei uma meia hora pra abrir, mas finalmente abri. Eu disse que conseguiria.
- Nossa, você realmente conseguiu abrir! Parabéns! – ele falava apertando minha bochecha. Então depois a Gabriela e o Caio chegaram pra jantar também, a dona Fátima foi pra casa mais cedo, então a gente que teve que lavar a louça depois do jantar. Jogamos na sorte pra ver quem ficaria com a louça, e adivinha que ficou? Eu, obvio, já que a sorte não me segue, porem eu enchi o saco do Pierre por um bom tempo e ele me ajudou a lavar também. Quando voltamos a sala, começamos a conversar.
- Eu tenho uma coisa a dizer! Como somos todos amigos, eu vou falar. – a Juliana fala interrompendo a conversa. Então ela segura a mão do Pierre.
 – Paulo Henrique, vamos começar de novo? – ela pergunta sorrindo.  Ele arregala os olhos e eu não posso dizer que fiquei animada com aquilo. Bem, pra mim eles já estavam juntos, mas aquele pedido era algo oficial. Simplesmente desviei o olhar pra não ter que encarar aquilo, então comecei a cortar uma cebola, por que se acaso eu começasse a chorar, todos achariam que era pela cebola.  – Eu quero a gente comece de novo, pra não ter mais problemas, eu acredito que vai dar certo. – ela fala sorrindo e eu noto que o Pierre começa a olhar pra mim, então fixo mais ainda minha vista na cebola. Porem do nada a Gabriela começou a passar mal, sentindo grande dores no estomago, então o Pierre e o Caio levaram ela ao hospital. Eu realmente esperava que não fosse nada com o bebe. Eu a Juliana voltamos ao apartamento, já que eu só poderia sair quando o Pierre voltasse.
 - Vocês já não estão juntos? Chegam usam a mesma corrente! – falei pra ela olhando pra meu celular. Não queria mostrar que estava triste com aquilo.
- O que tem? Eu só uso essa corrente por acho bonitinho! – ela fala sorrindo. O quê? Uma coisa que obviamente foi comprado pra ser um selo de amor, ela só usa por que é bonitinho. - Mesmo quando terminamos eu não joguei fora! Eu acho essa corrente linda! – ela fala sorrindo e tocando a corrente, essa garota realmente é pirada. E mesmo assim era corajosa, o bastante pra dizer diretamente que o ama e não se sentir com vergonha! Então depois o Pierre mandou meu chefe pra ficar vigiando ela, então fui pra casa e fui ver como estava a Danielle. Sua aparência estava melhor, as feridas do rosto já não estavam tão fortes, ela como sempre estava lendo. 
- O agente Cássio ligou pra você? – perguntei pra ela de uma forma meio tímida. Ela sem me olhar simplesmente disse não com a cabeça! Fala serio! O cara realmente não se importou com o que eu disse. – Amor é uma coisa muito complicada! – eu suspirei, então ela para de ler e começa a olhar pra mim.

- Você sabe o quanto foi estranho de ver você dizendo isso? – ela fala me encarando, mas logo volta ao livro. Então contei sobre o encontro do papai com a namorada, porem ela estava vaga e não prestou muita atenção.  Ela não estava totalmente bem, e dava pra ver, porem como ela não queria me contar, eu não iria força-la, então fui dormir. Ao acordar em arrumei pra encontrar a namorada do papai, eu o Luigi esperamos em um restaurante que ele nos levou.
- Eu tive um pesadelo, sonhei que ela era daquelas mulheres que tem sobrancelhas tatuada, sera que ela é assim? – o Luigi falava ajeitando o cabelo.
- Não quero que seja uma mulher cheia de frescura! – falei pra ele, mas pensei, se o papai gostasse dela e ela o fizesse feliz, eu não me importaria com isso. Então ele chegou e logo veio uma mulher atras, então nos levantamos pra cumprimenta-la que quando vejo. Era ela?
Era a mulher que um dia foi minha mãe!

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