Substituição.
Eu fiquei quieta já pra que ela não me matasse antes,
então escuto ela falando ao telefone.
- Sou eu. Não desligue e venha a piscina. Não tenha
medo de mim, eu não vou te fazer mal! Eu te amo! Eu só quero te falar algo! Sabe
por que eu odeio tanto seus olhos? Por seus olhos nunca foram capazes de olhar
pra mim! Venha até a piscina ou pode ser tarde demais. – ela fala e eu escuto
ela desligando o telefone. O Pierre deve estar desesperado, apesar que eu também
estava. Eu poderia morrer, ao qualquer momento. Então escuto passos no chão,
como se fosse alguém correndo. Devia ser o Pierre.
- Queria te dizer tantas coisas, mas não temos tempo.
Qual das duas você ama? – ela perguntou pausadamente. Eu sentia que podia
desmaiar a qualquer momento, já que estava com uma dificuldade terrível pra
respirar. – Ficarei na cadeia por muito tempo, eu sei! Então preciso saber a
quem eu tenho que odiar. Qual das duas eu devo matar! – ela fala pausadamente
de novo.
- Tia! Por favor, não! Não faça isso! - Pierre falou com uma voz cortada, como se
estivesse apavorado. Era em obvio isso.
- Então me mostre... quem você ama! – ela fala com um
grito e então me empurra dentro da piscina. Eu me movia o mais rápido que podia
e tentava trancar a respiração, mas era impossível. Sentia que pouco a pouco a
água entrava na minha garganta. Eu me mexia o mais rápido possível pra ver se
conseguia me desamarrar, mas era praticamente impossível. Então senti algo me
puxar para a superfície. Então tiram o
capuz de mim e a mordaça que estava na minha boca, era o Pierre que tinha me
salvado, porem ele estava com uma cara abismada e triste.
Ele não queria ter me salvado, ele pensou que eu era a
Juliana, obvio! Então olhou pra o meu rosto e logo foi correndo ajudar ela.
Então eu me levantei e comecei a
olha-lo, ali tentando salvar de todas as formas a vida da Juliana. então depois
de um tempo veio a Danii correndo e me ajudou a levantar.
- É ela! – a Danii gritou aos policias que vinham,
apontando para a Fátima. Então eles a algemaram. Chamaram a ambulância pra
Juliana que continuava desmaiada. Eu olhava ela ali, presa, e me dava uma raiva
tão grande ao pensar que uma vez na vida pensei que ela era uma boa pessoa.
fiquei imaginando como o Pierre devia estar se sentindo vendo aquilo, já que
ela era como uma mãe pra ele. então perguntaram quem iria ficar ao lado da
Juliana e o Pierre decidiu ir. Aquilo era o fim! “A que ele verdadeiramente ama
ira morrer e a que ele não ama irá viver”, ela fez com que seu plano saísse
perfeito como sempre.
Fico olhando pra ele sem conseguir conter minhas
lagrimas, ele fica me olhando como se estivesse pedindo desculpas, “Desculpa
não te amar, Dora!” e eu sentia que estavam enfiando uma faca no meu coração.
Então quando a ambulância foi embora, sinto como se todo o meu mundo estivesse
desmoronando e minhas forças indo embora, então eu desmaiei.
Quando acordei, estava deitada numa cama de um
hospital. Estava a Danii, o papai e o Luigi olhando pra mim meio tristes.
- Meu bebê... ela foi abrigada a trabalhar pra aquele
cara de bolacha e agora é quase assassinada. – falava meu pai chorando e me
abraçando, tão forte que parecia que ia quebrar meus ossos. Eu estava feliz por
eles estarem aqui comigo, mas minha mente só vinha aquilo que a Fátima tinha me
falado “As vezes as pessoas não sabem o que sentem, porem quando enfrentamos a
morte, a verdade se revela. A mulher que ele verdadeiramente ama vai morrer. A
que ele não ama irá viver!” então depois de conversar um pouco com eles, o
Luigi e a Danii foram embora mas o papai ficou pra cuidar de mim. Então decidi
ir ver como estava a Juliana, e parecia que ela estava tão mal. Perguntei a
medica e ela falou que ela simplesmente acordou, comeu e voltou a dormir. Fique
olhando ela dormir e lembrando do que a Fátima tinha me dito, então acabei
suspirando. Sera que aquilo era verdade?
- Não suspire assim! – disse o Pierre atras de mim tão
de repente que me assustou, então ele chegou mais perto de mim. – Por que você
se assustou? – ele perguntou olhando pra mim. Ele não avisa quando chega, fala
do nada e quer realmente que eu não me assuste?
- Você não é ninja! Por que aparece assim do nada? –
gritei pra ele, que fez uma careta.
- Como você esta? – ele me perguntou passando a mão no
meu cabelo. Apenas acenei que estava bem, então ele olhou pra Juliana. – Soube
que a Juliana só come e dorme, a coitada não tem forças pra suportar tudo isso!
– ele falou com uma cara triste. Ah claro, a Juliana esta sofrendo horrores e
eu que me ferre!
- Só que você tem a força do homem de aço com o super
man! – ele fala sorrindo. então fomos conversar do lado de fora, já que estava
mais vazio, então ele se sentou e suspirou.
- Onde você estava? – perguntei a ele, já que ele
deveria estar com a gente aqui, já que fez parte de toda essa confusão. Então
ele abaixou a cabeça.
- Por que tanta gente quer me ver nessas horas? E ainda
tenho que assinar varias coisas! Eles não me dão tempo pra pensar! – ele fala
suspirando. Ele devia estar triste por tudo isso e estressado também.
- Não é como se você pensasse de verdade, né? –
respondi pra ele, que começou a rir. Pra mim era um alivio, pelo menos vê-lo
sorrir depois de toda essa confusão. Então comecei a lembrar do que a Fátima
tinha falado e resolvi perguntar a ele, so que quando olho ele esta na minha
frente.
- Dora, você pode me dar um abraço? – ele falou
estendendo os braços para mim. Ele tinha enlouquecido? E se alguém visse. Então
abracei ele de leve, pra que ninguém percebesse. – Dá pra abraçar direito? –
ele fala fazendo uma careta, então eu o abraço colocando meus braços em sua
cintura... e lá ficamos por um bom tempo, quando veio uma enfermeira e falou
que eu tinha que voltar pra o leito, então ele me deu um beijo na testa e foi
embora. E eu fui pro meu quarto. Ao acordar descubro que estou de alta, então
comecei a ajudar meu pai a ajeitar minhas roupas, quando olho na porta,
escondido ta o Pierre acenando pra eu falar com ele, ou estava dançando
macarena, eu não sei direito... então fingi ao papai que ia no banheiro e fui
falar com ele.
- Soube que vão te dar alta! – ele fala sorrindo. – Ah,
eu vou pra os jogos da temporada daqui a três dias. Era pra ter ido ontem, mas
com essa loucura toda, não deu. Vamos ficar uma semana longe! – ele fala
olhando pra mim. Bem, não posso dizer que aquilo não era triste. Então ele
ainda me encarando, segurou meu rosto. – Quer ir comigo? – ele falou sorrindo.
ah claro, com todo esse fogo todo que ele tem, eu ir daria muito certo né?
- Com esse teu fogo ai, a gente ia acabar com a
temporada! Apesar que se é pra ajudar o Lhamas, eu faço qualquer sacrifício! –
falei sorrindo então segurou meu rosto com as duas mãos e me deu um selinho.
- Você é uma cretina! – ele fala fazendo biquinho, e eu
comecei a rir. Quando me lembrei da bendita da frase da Fátima, então pensei em
perguntar porem meu pai chegou logo e eu tive que sair correndo, por que não to
querendo guerra tão cedo. Ao voltarmos
para casa, comecei a pensar nisso novamente e decidi pedir conselho a Danii.
Porem quando entrei no quarto ela já foi perguntando.
- Sabe, tem uma coisa que eu não entendo. Você foi
salvar a Juliana e a velha lá te parou pra você não salva-la. Mas pra que fazer
o Pierre escolher entre vocês duas? – ela perguntou coçando a cabeça. Eu
lembrei que a Danielle não sabia de nada então resolvi que estava na hora de
contar.
- Sabe o que é... lembra que eu te disse que gostava de
alguém? Então... não era o repórter Claudio... era o Pierre, e a gente meio que
estava ficando. Por isso a Fátima colocou ele pra escolher entre a gente. –
disse pra ela abaixando minha cabeça. Ela ficou em silencio por uns minutos.
- Você mentiu pra mim? – ela falou me encarando com
raiva. Já sei que vai começar com o drama.
- Eu não menti coisíssima nenhuma! Você que deduziu
tudo sozinha! Eu nunca falei que gostava dele!
– respondi pra ela e ela fez uma careta.
- Eu te dei minha amizade e você me deu a bunda! Mas
você acha que vai ficar assim? Eu vou me vingar! – ela falou se levantando. Vai
fazer o que? Me obrigar a assistir filme porno?
- E você vai fazer o que? – me levantei colocando as
mãos na cintura, encarando-a. então ela foi pra janela do quarto.
- Tio Luis, Luigi... A Isa ta tendo um caso com... –
ela começou a gritar da janela. Não acredito que ela ia fazer isso, então dei
uma chave de braço nela.
- Cala a boca! Ta querendo morrer, infeliz! – falei
dando a chave de braço.
- Você vai manter em segredo por resto da vida isso? –
ela dizia dando tapas no meu braço. Então a soltei. Eu realmente não pensava em
esconder pra sempre, só ate ter uns 90 anos, ai eu contaria.
- Eu não tô preparada psicologicamente. – falei olhando
pra baixo. Bem, mas não era isso que eu queria saber. – Tá! Mas esquece isso!
Eu quero saber... o que eu vou fazer? Ele me salvou quando eu estava com a
roupa da Juliana... ele continua me tratando normalmente, mas sera que ele esta
de verdade apaixonado por mim? O que eu faço? – perguntei pra ela, que só olhou
para o lado.
- E eu que vou saber? Pergunta pra ele caramba! – ela
fala levantando os ombros. Mas e o que eu farei se ele falar que não queria me
salvar? – A realidade não irá mudar, mesmo que você demore, então é melhor
perguntar logo.- ela fala olhando pra as unhas. Cara, com a Danii de amigo,
quem precisa de inimigo e torturador? Eu
devia ter perguntado logo pra ele. agora estou aqui, estressada. Minha mente é
uma droga! A frase daquela velha maldita se repetia e repetia na minha cabeça,
tanto que mal me deixava pensar. Eu vou ficar louca! Quando do nada o telefone
toca e vejo que é ele, só que eu não estava em condições de falar com ele,
então só desliguei. Então fui dormir, apesar que aquela frase ficava grudava na
minha mente direto... ao acordar, olhei para o meu celular e tinha umas vinte
ligações perdidas do Pierre e uma mensagem. “ Ligue pra mim, tenho algo que te
dizer!” . o que sera que ele queria dizer? comecei a pensar, e ainda assim
aquela frase se repetia na minha mente, mas resolvi ligar.
- Eu posso saber por que não atendeu minhas ligações
ontem? – ele perguntou com raiva. Não
queria contar que estava evitando ele.
- Não ouvi o telefone. – falei com um tom baixo. – O
que você queria me dizer? – perguntei a ele um pouco hesitante.
- Agora não posso falar, mais tarde eu te conto! – ele
fala rápido. Então escuto um barulho atras dele, então percebo que ele não esta
em casa.
- Onde você esta? – perguntei a ele hesitante. Eu já
tinha ideia de onde ele estava.
- No hospital! Deram alta pra a Juliana hoje! – ele
falou com um tom normal. Eu sabia! Aquela era a minha confirmação.
Ele de verdade, não me ama.

















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