Penúltimo Capitulo

Jogada para fora do campo. 

Desliguei o celular e comecei a pensar. Eu realmente sou uma pessoa azarada. Então fiquei em casa, curtindo minha dor de cotovelo só. Apesar que eu notava que o papai estava preocupado comigo. Então fui treinar um pouco pra ver se esquecia aquilo, porem me lembrava constantemente do a Fátima tinha falado e também lembrava de tudo que ele tinha falava antes. “Você nunca teve algo na vida, que não tivesse valor material? Algo insignificante pra os outros, mas extremamente especial pra você, que você não poderia perder?”, lembrei deles juntos e de como ele planejava tudo pra protegê-la e cuidar dela. Também me lembro do que ele falou no natal “Não é nada sobre quantos relacionamentos você tem ou não, nem se a relação funciona. É só uma pessoa que foi feita para a outra!” ele era apaixonado por ela, era algo que eu não podia fazer nada. Ficar com ele foi um sonho, um lindo sonho, mas já estava na hora de que eu acordasse.
Então meu celular toca, que quando vejo é ele.  Eu não queria voltar a evitá-lo, já pra que ele não se preocupasse, então atendi.
- Onde você esta? – ele perguntou com a voz meio áspera.
- Em casa! – respondi meio triste com tudo aquilo.
- Eu to indo pra aí! – ele fala com tom forte. Então me veio o que ele tinha dito. “Mesmo terminando você não sente que tenha terminado. Mesmo que você esteja sem aquela pessoa, você não sente livre”. Ele com certeza queria falar que amava a Juliana, que apenas se confundiu, e eu de verdade não queria ouvir.
- Não venha! – respondi a ele tentando me controlar pra não chorar.
- Por quê? – ele perguntou com a voz áspera e um tanto cortada. Eu não podia dizer “por que eu sei que você não me ama!” então inventei uma desculpa.
- Por que o papai e o Luigi estão aqui em casa e eu to me sentindo mal também! – respondi a ele em um tom baixo, por que se falasse mais alto ele perceberia que eu estava com vontade de chorar. 
- Por quê? Você ta doente? – ele perguntou com um tom preocupado dessa vez. As palavras deles viam com tudo na mente, fazendo com que minha cabeça doesse.
- Olha, eu tenho que desligar ta? – falei pra ele e desliguei. Eu já estava cansada de tudo aquilo.  Porem ele continuou ligando e ligando, então tirei a bateria do celular. Então uma hora depois o papai me chamou pra comer, mas de verdade eu não estava com a mínima vontade de comer nada.  Tentei colocar um pouco na boca, mas me embrulhava o estomago.  Então percebi que tanto o Luigi quanto o papai estavam me encarando.
- Que é? – perguntei olhando pra eles. Então o papai apenas virou o rosto, um pouco envergonhado, com certeza querendo me perguntar algo mais seguindo a regra “não se deve falar sobre assuntos tristes”.
- Cê ta doente? – o Luigi perguntou. – Você ta com cara de quem foi enterrada e esqueceram de avisar, alem de não ta comendo nada! – ele fala me encarando. Bem, não posso dizer que eu não estava me comportando de modo estranho e que eu realmente estava triste, mas não queria explicar nada, então ignorei. O Luigi foi pegar um pedaço de carne, mas o papai deu um tapa na cabeça dele.
- Isso é pra Isa! – ele fala cochichando. – Isa, meu bebe, prove isso! – ele fala me mostrando um prato com muita carne, pelo jeito era carne de churrasco, que eu gosto.
- Ele comprou da carne mais cara, só pra você! – o Luigi falou sorrindo. Então tentou pegar um pouquinho, mas o papai lhe deu outro tapa e colocou o prato pra mais perto de mim.
- Você ficou traumatizada por terem tentado te matar! Coma! Você precisa! – ele falou então peguei um pedacinho de carne, mas não descia de jeito nenhum. Então a campainha tocou, eu ia me levantar pra ver quem era, mas o papai segurou minha mão e deu um tapa na cabeça do Luigi. - Vai atender essa porta moleque, não ta vendo que sua irmã esta doente? – ele grita com o Luigi que faz uma careta.
- Ah, que raiva. Vou procurar uma velha pra me tacar dentro d’água também. – disse o Luigi se levantando.  Pouco tempo depois ele começa a gritar “Pai, vem cá, pai!” então o papai foi ver o que era. Vai ver era alguém querendo encher o saco sobre donativos pra o time. Então meu pai grita “Seu cara de bolacha maldito!” e eu gelei. Só existe uma pessoa no mundo que eu meu pai chama de “cara de bolacha” e é o Pierre. Então fui correndo pra a porta, pois sabia que ou o Pierre podia bater nos dois ou os dois matarem ele.
- Como você se atreve a vir aqui? Some! – dizia meu pai aos gritos.
- Tenho que falar com a Isadora! – o Pierre gritava também. Que ótimo, agora a vizinhança inteira vai escutar eles brigando.
- Falar o que? Cai fora daqui! – dizia o Luigi gritando. Quando saio vejo o papai e o Luigi estavam segurando a gola do Pierre. – Eu vou chamar a policia seu cara de bolacha de merda! – o Luigi gritava. Eu não mereço!
- Dora, da pra ajudar aqui? – O Pierre gritava, então tentei separar o papai e o Luigi dele. 
- Espera Isa, deixa eu tirar esse coco de cachorro daqui primeiro! – o papai dizia empurrando o Pierre pra fora. Então segurei a mão deles.  Então eles soltaram. Cara, eu não estava preparada nem pra falar com o Pierre e nem pra falar com o papai sobre o que aconteceu entre a gente.
- Você esta realmente doente? – o Pierre perguntou olhando pra mim. Eu não queria responder, não queria falar com ele. Só queria ir pra minha cama e fingir que nada disso tinha acontecido.
- E daí se ela estiver doente? Isso não é da tua conta! – o Luigi grita pra ele.
- Eu vou amanha pra temporada de jogo! – o Pierre fala ainda olhando pra mim. 
- E daí? Como se a gente se importasse! – o papai gritou. Eu de verdade só queria sair daquele lugar.
- Você realmente quer que eu fale tudo aqui?  - ele perguntou ainda me encarando. Eu sabia que ele iria falar tudo na frente deles, então tinha que tirar eles dali.
- Por favor, entrem! – falei pra os dois.
- Por quê? – tanto o papai como o Luigi gritaram. Eu já estava sem paciência.
- Entrem agora! – eu gritei então os dois arregalaram os olhos e entraram. Então eu fiquei ali, com o Pierre. Eu não tinha coragem de olhar pra ele.
- Por que você não atendeu minhas ligações? Não quer falar comigo, é isso? – ele perguntou em tom cortado. Eu não queria olhar pra ele e começar a chorar. – Você não tem nada pra perguntar pra mim? Ou não tem mais curiosidade? – ele perguntou com um tom áspero, como se estivesse com raiva. Então eu entendi, ele sabia sobre o que a Fátima tinha falado.
- Tenho! Tenho tanta curiosidade que sinto que vou enlouquecer a qualquer momento. – respondi a ele finalmente podendo olhá-lo. Ele já sabia então minha reação já não é estranha.
- Então por que você não pergunta? – ele me perguntou com raiva. Não era obvio o porquê de que eu não tinha perguntando?
- Por que eu tenho medo!  Tenho medo de que você diga que nunca quis me salvar! Que você tenha se decepcionado por não ter salvado a Juliana! Que na verdade você nunca me amou, e tudo foi só uma confusão da sua cabeça! – eu falei sem poder mais conter as lagrimas. As duvidas eram tantas. 
- Você é uma retardada mesmo! Se eu disse que te amava, é por que de verdade eu te amo! Mas você acha que eu estou mentido? – ele grita alto o suficiente pra qualquer um ouvir. Não acho que ele estivesse mentindo, só enganado.  Então sabia que tinha que perguntar o que tanto me afligia a ele.
- Por que você me salvou? – perguntei a ele já chorando. Ele arregalou os olhos por um momento então trincou os dentes.
- Essa não é a pergunta correta, então pergunte de novo! – ele fala com os dentes trincados.
- Ok! Pergunta de novo! Por que você me salvou? – perguntei a ele de novo.
- Eu já falei que não era essa pergunta! – ele grita fechando os punhos.
- Então o que você quer que eu pergunte? – eu gritei sem poder me conter mais. – Você me ama de verdade? Mais que a Juliana? – perguntei. Então noto que os olhos dele começam a se encher de lagrimas.
- E você? Você de verdade me ama? Por que se me amasse deveria confiar em mim, não? – ele gritou.
- Eu quero acreditar, mas... – eu respondi chorando.
- Mas o quê? Você não pode? Por acaso eu vivia mentindo pra você achar que estou mentindo agora? – ele grita. Eu não sabia o que pensar, eu queria acreditar que de verdade ele quis me salvar. Mas aquilo que a Fátima falou ficava na minha cabeça direto e direto. Então ele suspirou. – Dá na mesma o que eu diga, você não vai acreditar em mim. E eu não posso estar com alguém que não confia em mim! – ele falou com um tom cortado. O que isso significava, que tinha acabado tudo? – Eu vou voltar semana que vem e espero que você pense bastante. Veja se você realmente me ama, tanto quanto diz, me ama ao ponto de acreditar em mim! – ele fala com os dentes trincados e com lagrimas escorrendo pelo seu rosto. Por que ele não fala de uma vez que não quis me salvar e pronto?
- Por que você me salvou? – eu gritei pra ele.
- Eu já disse que não vou responder essa pergunta! – ele grita de novo, fechando os punhos. Então sai. Tudo tinha acabado, eu sei. Ou por falta de confiança minha ou falta de amor dele, não importava mais. Tudo tinha acabado entre nós, e ao perceber isso eu realmente chorei, quando um recém nascido. Meu pai veio e começou a me abraçar enquanto o Luigi jogava todas as pragas possíveis no Pierre. Então fui pra o meu quarto e lá chorei a noite inteira.  Quando acordei estava o papai na porta, me olhando.
- Então quando você falou que eu teria que aceitar qualquer um que você escolhe-se, estava falando dele? – ele falava fazendo uma careta. Eu de verdade não mereço!
- Pai! Você não viu? Acabou! Você não vai precisar aceitar ninguém! – falei pra ele cobrindo meu rosto com o lençol. Então ele senta na cama.
- Isa! Casais brigam, isso é normal. Olha, eu não gosto dele e acho ele um idiota, mas achei que ele foi sincero quando disse que te amava. Então tudo vai dar certo, não fique desse jeito, ta? – ele falou passando a mão no meu cabelo. Nunca pensei que meu pai iria me consolar por brigar com o Pierre.
- Obrigada, pai! – falei pra ele levantando o rosto e ele sorriu, então se levantou e foi pra porta.
- Ah, mas só pra lembrar, você pode ser namorada, noiva e até mulher dele, seu coração é Lhamas entendeu? – ele fala colocando a mão na cintura. Eu tive que rir.
- Claro pai! Serei Lhamas até morrer! – falei pra ele colocando a mão no peito em forma de promessa, então ele sorriu e se levantou. Então comecei a me ajeitar pra ir ao trabalho. Meu chefe ficou bem contente por que graças à captura do maníaco das fotos, a agencia de guarda-costas estava recebendo muitos pedidos de clientes.  Ele me contou que o Lucas tinha sido morto pela Fátima, por isso o Pierre não conseguia falar com ele. Eu tive que ir depor  contra ela também pelo sequestro e pelo os que os policiais falaram, ela era a culpada de tudo, até das brigas que ele teve no começo da carreira, tinha sido ela que tinha armado. Foi provado que a Gabriela foi à responsável pelos desastres nas pinturas da Juliana, mas ela não foi presa, pois o juiz falou que isso foi por causa do seu aborto, que deixou ela desequilibrada. Ela, o Caio e o Gabriel se mudaram pra uma cidade pequena, onde ela poderia relaxar mais.
O repórter Claudio continua perseguindo artistas pra fazer reportagens, mas agora só publica coisas que são verdades. E por falar em artista, a atriz pornô Joyce resolveu virar atriz de verdade, vi um anuncio dela em um cartaz, e admito, ela estava bem bonita e parecia uma pessoa normal agora. Em uma entrevista ela falou que um cara que ela enganou disse “o que nos faz brilhar não é o que temos em dinheiro, é o nosso talento! Mas se você usa seu talento pra apagar a luz de alguém, a única luz que se apaga é a sua!”, eu nem precisava ser um gênio pra descobrir quem era o tal cara. Pierre, obvio...  Fico feliz que ela tenha melhorado na vida. 
Mamãe resolveu morar com a gente, o papai ficou bem feliz e eu não me importei. Não, eu acho que nunca a sentirei com o mesmo amor que tinha, mas fico feliz que meu pai esteja feliz agora. Ela tem ajudado o Luigi a estudar pra o vestibular e bem, tenho que dizer que ela esta pagando por todos os seus pecados, já que aquele ali é mais burro que eu e o Pierre juntos.
 Se passou uma semana e o Pierre não ligou nem ao menos uma vez pra mim. Ele devia estar com muita raiva. Eu comecei a pensar, ele ficou com raiva por eu pensei que talvez ele amasse a Juliana e por isso me salvou quando estava com a roupa dela, mas se por algum milagre, o Pierre sabia que realmente era eu. Então como ele sabia que era eu invés da Juliana? Talvez fosse isso que ele queria que eu perguntasse, mas como ele não esta aqui, eu só podia ter duvidas mesmo.  Bem, assim como os pedidos pra clientes na empresa de guarda-costas aumentou, meus pedidos de trabalhos também aumentaram. Hoje tive que acompanhar uma criança ate o berçário, pois é, de guarda-costas virei babá, ninguém merece! Então depois que o levei pra casa, ia pra uma lanchonete comer quando meu celular tocou. “Você tem outro cliente. espere no aeroporto agora mesmo”. Eu tentei explicar que estava morrendo de fome, mas ele desligou assim que disse. Que ótimo! Então fui ao aeroporto e fiquei esperando alguém gritar “guarda-costas” já que nem sabia quem tinha me contratado, quando vejo os jogadores do Gnomos vermelhos vindo do portão de embarque e vejo o Pierre vindo na minha direção.
- Então você é a minha guarda-costas? – ele falou e sorriu. Eu não acredito.
 Ele era o meu cliente?

2 comentários:

  1. Continua Logo,to amando :33 *u*

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    1. ain, que bom que vc esta gostando flor :3
      logo logo eu posto o ultimo cap...

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