Capitulo 12

O desaparecimento de Pierre. 

Sai de casa de madrugada, já que se eu falasse que iria procurar o Pierre, meu pai jamais deixaria. Peguei minha mochila e enchi de água, casacos e biscoitos pra comer no caminho, sabe lá quando eu poderei comer direito, então melhor me precaver.O primeiro lugar da lista era sua antiga escola, fui lá mais não encontrei nada de interessante. Então fui a um lugar onde ele foi com a família, era uma espécie de reserva ambiental ou algo assim, mas também não tinha nada. Fui a varias praças, parques e também nada dele. Então tinha uma cidade vizinha, perto de uma floresta. Peguei o ônibus e fui pra lá, comendo uns biscoitinhos do caminho. O lugar era estranho, cheio de mato pra tudo que é lado. Logo ficou escuro e eu admito, apesar de ser guarda-costas, ser faixa preta em judô e tal, eu morro de medo de escuro... Liguei uma lanterna que eu trouxe, mas logo a pilha dela ficou fraca e ela desligou. Eu tinha certeza de que tinha trazido pilhas para a lanterna, mas não encontrava em lugar nenhum na mochila.
Estava escuro demais, meu celular estava descarregado e eu não tinha a menor idéia de onde eu estava, então me sentei numa arvore e fiquei esperando ficar de dia, apesar de estar morrendo de medo, quanto mais eu andasse, mais perigoso ficava.
-Deixa de frescura que isso nem é o Everest o coisa assim. – dizia a mim mesmo. Era até vergonhoso eu estar assustada só com isso. Serio! Quando eu encontra-se o Pierre, juro que vou fazer pagar por tudo isso. Eu continuava a procurar as pilhas quando escuto uma voz “Isadora?” a voz falou, dei um grito de medo. Então quando olho, vejo que é o Pierre. 
Eu estava tão assustada que nem conseguia reagir, notava que minhas mãos estavam geladas e tremendo, alem de meus olhos estarem cheios de água. Antes que eu percebesse estava chorando, ele olhava pra mim com os olhos arregalados, então se abaixou e começou a me olhar...
- Dora, o que você esta fazendo aqui? E por que você esta chorando? – ele perguntava atordoado...
- Idiota! Você me assustou! E eu já estava tão assustada! – eu gritava pra ele em meio ao meu pranto. Então ele me abraçou. 
- Calma! Ta tudo bem! Você estava assustada? – ele dizia tentando me acalmar e eu assustada só fazia chorar feito uma idiota. Ate que eu percebi. Ele estava me abraçando, então o empurrei.  – Você também se assusta com as coisas? – ele disse sorrindo, era um idiota! Ele foi se levantando pra ir embora, então eu o segurei pelo casaco. 
- Você vai me deixar aqui? E se eu me perder de novo? Eu não tenho lanterna e está escuro! – eu dizia sem querer admitir que eu também estava com medo. Então ele tira a minha mão do casaco dele e segura ela, então me puxa pra ficar de pé, segurando a minha mão. 
Bora medrosa! – ele falou indo comigo pela floresta segurando minha mão. 
Admito que apesar de ainda não goste do escuro, não estava mais com medo, já que ele estava lá. Então chegamos a uma casinha pequena, de madeira, bem pobrezinha, que não tinha nem luz elétrica, nem sofá, apenas uma espécie de lareira e umas cadeiras e colchões no chão. Então ele acendeu a lareira e sentou em uma das cadeiras... 
- Como você soube que eu estava aqui? – ele perguntou.
- Eu li os seus diários! Apesar de que aquilo nem pode ser considerado diário, só tem treino, treino, treino! – respondi. Ele virou o rosto e continuou a olhar pra o fogo. - Olhe só pra você! Um homem feito e fugindo de casa! – reclamei.  Era bem ridículo mesmo. Isso é coisa de criança de 7 anos, no mínimo. 
- Eu estou triste! – ele respondeu. Quer dizer que todo mundo que está triste tem que fugir de casa? 
E é só você que está triste, por acaso? – perguntei com raiva, então ele me encarou.
 – Quem mais está triste? – ele pergunta. Eu pensei em dizer “Eu” na hora, mas me controlei. Ele não precisava saber que eu estava triste por causa dele. 
O Caio esta bem triste e a tiazinha que trabalha contigo chora tanto que parece que vai morrer desidratada. – respondi a ele. 
E você? Você ficou feliz? Sua família fez um churrasco pra comemorar? – ele perguntou ironicamente. Claro que ele esperaria algo assim de mim, mesmo assim doía escutar ele falando isso. 
Como se você soubesse de algo, idiota! – resmunguei pra mim mesma.  Eu não podia aceitar que ele estivesse largando tudo.
- Você escreveu no seu diário que sem o beisebol, você preferia morrer. Então lute, por favor!  Se aquele cara te insultou, você deveria enfrentá-lo e usar todas suas forçar pra ganhar dele! Por que você não diz logo o que ele falou? – perguntei a ele. Era injusto! Eu sabia que se ele bateu no cara, teve motivos, mas se ele não falar qual foi o motivo, todo mundo vai ficar odiando ele. 
- Eu pensei em dizer, mas como não tenho provas, só seria minha palavra contra a dele. E eu não quero que o nome da Juliana esteja no meio disso tudo! – ele respondia triste. Como eu imaginava, o cara ofendeu a ex dele. Não posso negar que isso me doeu bastante, ele estava se sacrificando por uma garota que nem sequer esta com ele.

- O clube esta fazendo uma apelação. Você vai ficar em silencio de novo? Só diga a verdade! Ela vai entender! – eu disse a ele. - Não quero! – ele disse e foi se deitar em um dos colchões... 
Senti que as lagrimas queriam descer novamente, mas eu segurei. Acho que segurar o choro deixa sua cabeça doendo, já que eu sentia uma dor enorme na minha cabeça, alem de um frio terrível. Acho que esse frio era tristeza por vê-lo sofrer assim, por vê-lo sofrendo por outra. Ao acordar, sentia mais frio ainda, mesmo tendo colocado todos os casacos que eu trouxe, alem do corpo todo dolorido.  O frio era tão grande que parecia que ia me dividir no meio.
- Você ficou gemendo a noite inteira, você esta bem? – ele perguntou chegando perto de mim, então colocou a mão na minha testa. – Você esta ardendo em febre! –ele dizia com a cara preocupada.  
- Nós temos que ir pra reavaliação amanha. Como o caminho é longe, temos que ir logo. E você tem que assistir. – eu disse, mas com o corpo fraco, assim que tentei me levantar vi as coisas rodando.  Então como estava muito cedo, resolvi deitar um pouco pra ver se aquilo passava. Notava que o tempo todo o Pierre olhava pra mim, então ele tirou o seu casaco e colocou por cima de mim. Eu acabei adormecendo. Acordei com o Pierre me chamando pra tomar um chá que ele tinha feito.
-Você tem que tomar isso e aproveitar pra comer. Você ficou doente por que não deve ter comido nada, só tinha biscoito na tua mochila! – ele reclamava... Então eu notei que estava meio escuro. Então olhei meu relógio e vi que eram 4 horas.
- Por que você não me acordou antes? –reclamei. Não daria tempo pra ir cidade, já que demora umas 8 horas só pra chegar lá, alem da caminhada ate chegar ao ponto de ônibus.  Comecei a ajeitar as coisas, mas o cansaço não me ajudava, me deixando tonta a todo o momento.
- Não podemos ir com você nessas condições. – ele dizia preocupado.
- A gente tem que ir! Eu vim pra cá exatamente por isso! – eu falei com um tom cansado.
- Se você desmaiar no meio da floresta, ai sim, estaremos em um grande problema! – ele dizia ainda preocupado. 
- Então você vai e me deixa aqui, depois eu volto! – eu respondi com um pouco de dificuldade.
- Qual é o teu problema, mulher? Ta tentando tirar o pai da forca ou o que? – ele reclamava.
- Por que você tem que ir pra lá. É sua ultima chance. Eu sou uma inútil!  Nunca fiquei doente na vida e agora estou assim! – eu reclamava. De verdade, como guarda costas, eu sou uma inútil. Então percebi que ele estava com o meu caderninho que estava anotado todos os lugares que ele passou pra procurá-lo.
- Você foi a todos esses lugares, sozinha? – ele perguntou com uma espécie de sorriso no rosto. Peguei o caderno de volta,. Por que diabos ele mexeu nas minhas coisas? E eu também não saberia responder aquela pergunta. Eu juro que queria gritar com ele, bater nele, mas minha força estava extremamente limitada, então tomei o chá que ele fez e depois comi umas frutas que ele me deu. Então me deitei. Sentia ele mexendo no meu cabelo e isso me deixava envergonhada. Com a noite, o frio aumentou muito, eu sentia que meu corpo estava se dividindo ao meio. 
- Você esta com muito frio? – Pierre perguntava colocando a mão na minha testa pra ver minha temperatura. Eu estava com muito frio, mas se falasse que estava, ele iria me dar seu casaco, e ai ele poderia ficar doente. 
- Nã... ão... ! Só... Só um po... po...quinho... !- Respondi a ele apesar de estar com tanto frio que nem responder direito eu conseguia. O frio era tanto que me fazia trincar os dentes. Então ele se deitou no colchão onde eu estava deitada e me abraçou fortemente. Eu gelei, o que diabos ele estava fazendo? Virei meu rosto pra olhar pra ele. – O que vo... Você... – eu tentava perguntar a ele e ao mesmo tempo me soltar. 
- Fique tranqüila que eu não vou te agarrar! Só tente dormir! – ele dizia me abraçando mais forte ainda. – Obrigada, Dora! – ele fala colocando o casaco dele em cima da gente, como se fosse um lençol. Eu estava muito envergonhada, mas estava feliz. Eu ainda estava com frio, mas com ele ali do lado, parecia que me deixava mais forte. Então pouco a pouco, eu fui dormindo, ali, nos braços dele.
No outro dia, ele me acordou e me deu de novo o chá, então fomos pegar o ônibus pra voltar à cidade. Ele comprou umas tangerinas dizendo que era bom pra quem estava doente. Eu tentei ligar o celular, mas ele estava totalmente sem bateria. Eu olhava pra o relógio, 2 horas da tarde, já estava perto de começar e a gente ali, no ônibus.
- Para de olhar esse relógio que esta me deixando nervoso. – Pierre reclamava. Mas é um idiota mesmo, eu estava preocupada por causa dele. Eu comecei a olhar a janela, ate que acabei adormecendo. Quando acordei, estava com a cabeça no ombro dele. Então vi que o ônibus havia parado, então acordei ele.
Fomos a uma lanchonete comer algo decente que não fosse biscoito ou fruta e também pedi pra carregarem meu celular. Quando carregou, ela me entregou e eu o liguei. Nunca na minha vida tinha visto tantas mensagens juntas. Tanto do agente Cássio, como do Caio e do meu pai. Então, á ultima mensagem do Caio era que a gente tinha que ir à base do time o mais rápido possível. Assim que terminamos de comer fomos pra lá, e já estava de noite. Ao chegarmos, a sala de descanso da base estava com as luzes apagadas. Então do nada, todas as luzes se acenderam e o Caio começou a jogar champanhe na gente. Eu estava sem entender aquilo e só empurrava o Pierre pra ficar na minha frente.
 - Que diabos você esta fazendo Caio? – Pierre perguntava com raiva.
- Você não vai sair do time seu idiota! Você só vai cumprir 2 meses de serviço comunitário.- o Caio falava sorrindo. Meu Deus, aquilo era verdade... Pierre ficou tão feliz que abraçou o Caio, e eu de tão feliz que estava abracei os dois lá.
- Brother, muito obrigada! De verdade. Muito obrigada! – o Pierre dizia ao Caio. Então ele soltou o Caio e me abraçou, um abraço tão forte que me fez rodar. Eu estava tão feliz. Finalmente tudo tinha passado. 
- Obrigada Dora, eu só consegui por você ser tão pentelha e não me deixar desistir! – ele dizia enquanto me abraçava. Então quando percebi, eu estava chorando de felicidade. 
- Você esta chorando? – ele perguntava sorrindo. 
Quem mané ta chorando? – eu disse tentando parar, então ele começou a apertar minhas bochechas.
 Então depois nos sentamos e começamos a comer novamente. O Caio então explicou sobre uma gravação que o repórter Claudio tinha feito, que mostrava que ele tinha ofendido a ex dele.Quem diria... Ninguém sabe por que ele ajudou, mas o importante é que parou de seguir o Pierre. Então o presidente da empresa resolveu não demitir ele. 
 “Paulo Henrique” uma voz feminina falou atrás de nos. Quando eu olho é uma garota loira, bonita, de olhos claros. Parecia muito uma Barbie. Percebi que o Pierre ficou com os olhos arregalados na hora. Então do nada ela corre e pula em cima dele abraçando-o. Devia ser uma fã doida do Pierre então corri pra segura-la. Porem quando eu ia puxá-la, o Pierre me impede segurando minha mão. Então a garota solta ele e sorri. 
- Juliana? – ele perguntou assustado. Então eu percebi, aquela garota era a ex dele.Ela era a garota pelo qual ele ainda era apaixonado.
Eu via os dois ali, abraçados e não tinha idéia de como agir. Então quer dizer que aquela garota, que parecia uma Barbie ou uma modelo, era a Juliana? Minha cabeça rodava e rodava.
- Nossa! Que surpresa boa! – Caio dizia e foi abraçá-la. Todos lá estavam felizes e conversavam animados, mas eu sinceramente nem sequer conseguia escutar. A presença daquela garota fez meu coração doer, como se estivessem tirando meus músculos pouco a pouco...  E logo essa dor foi ocupada pela raiva... Eu nunca senti tanta vontade de quebrar uma Barbie na vida como queria quebrar a cara dela... 
 Só me vinha algo na minha mente e era “MORRA VAGABUNDA! MORRA VAGABUNDA!” e nesse stress acabei tomando um copo inteiro de cerveja que estava lá...
- Nossa! Parece que você gosta de beber, não é? – ela me dizia com um sorriso brilhante. O que me deu mais raiva ainda, e daí que eu gosto de beber? Então ela foi beber um copo de cerveja e bebeu de uma forma delicada como se estivesse bebendo vinho tinto escocês de 600 anos... Ah vá pra... Fui ao banheiro e via a minha cara amassada, meu casaco grande e minha cara sem maquiagem qualquer... Obvio que eu jamais ganharia de uma coisa daquelas. Sim, coisa! Por que aquilo lá não pode nem sequer ser humana... 
 Então depois o Pierre foi todo animadinho levar a coisa pra casa e eu fui de busão. Serio! Eu realmente queria bater naquela vadia. Amor eterno? Fala serio! Até parece que as pessoas sem ficam com seus primeiros amores. Pra que diabos ela teve que voltar? A graça do primeiro amor é nunca mais ver né? No momento em que volta, não tem mais magia. Ia em direção ao meu quarto quando vejo meu irmão espiando meu pai no banheiro, tipo wtf? Cutuquei ele e ele me pediu pra fazer silencio. Então vi que o papai falando ao telefone, de forma estranha, falando todo educado, com a voz baixa...
- Ele virou golpista agora? – perguntei ao Luigi. Do jeito que ele tava agindo era como se fosse.
- Não! Parece que o papai tem uma namorada! Olha só como ele ta feliz! – o Luigi fala pra mim. Nossa, será verdade? Desde que a nossa mãe foi embora, ele sempre ficou só. Ele ficou apaixonado por ela 15 anos e agora está com outra. Eu fiquei muito feliz, até por que se meu pai, que amou minha mãe há muito tempo pode mudar de amor, por que alguém como o Pierre não pode? Então os deixei ali e fui pro meu quarto e ai me olhei no espelho. Pela primeira vez senti vontade de mudar... Ficar mais bonita... 
Dizem que o amor muda, vamos ver se isso é verdade!

5 comentários:

  1. Respostas
    1. sim, ja é um bom passo pra perceber que esta bem apaixonada por ele xD

      Excluir
  2. adoooooooooooooro <3
    torci pra Isa e o Pierre ficarem juntos desde o primeiro capítulo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ain ... eu tbm torço mo pra o Pierre e a Isa ficarem juntos ♥

      Excluir
  3. Justamente quando tudo estava indo bem...
    E eu acho a Dora linda! Mas se os garotos so veem a beleza tipo barbie e vai ser bom para a auto estina dela,fazer o que.
    E alguem precisa mostrar o drama heirs (unico coreano que vi lol) para o paulo henrique, os sabios conselhos do Myung Soo dizem que o primeiro amor nunca da certo u.u

    ResponderExcluir